O que vai acontecer com a educação quando a pandemia passar?

Com o isolamento social, milhares de alunos estão se adaptando a uma nova modalidade de ensino. A escola não parou. Os professores estão trabalhando mais do que nunca, os coordenadores estão se desdobrando para conseguir organizar um calendário letivo que cumpra as 800 horas/aula que o MEC manteve, os gestores estão pensando em estratégias para que as famílias não se afastem da escola, nem cancelem suas matrículas.

A tecnologia tem sido a grande aliada do processo de aquisição de aprendizagem nos dias de hoje, mas algumas constatações merecem ser avaliadas.

O ambiente escolar é importante, não somente para o aprendizado, mas para o desenvolvimento de competências socioemocionais. O ensino a distância deve dar algum impulsionamento para a educação, e contribui para enriquecer o aprendizado, mas ainda assim, não substitui a educação presencial na Educação Básica. Os professores têm se reinventado todos os dias com o manuseio das ferramentas educacionais, e a experiência deste ano será um marco decisivo para as atuações dos próximos anos. A tecnologia deve ser usada, e, inclusive, é orientada pela BNCC, mas o seu uso deve ser complementar e não exclusivo, pois não é democrático a todos os estudantes. A escola pública apresenta bastante defasagem nesse âmbito.

Mais um dos grandes desafios da escola no momento atual é a reorganização do calendário escolar de 2020. O Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou um parecer com diversas medidas que devem ser adotadas pelas escolas, sugerindo, inclusive, mudanças no ENEM. Segundo o documento, o período de interrupção de aulas acarreta o possível comprometimento também do calendário escolar de 2021, e eventualmente, também de 2022.

“A realização de atividades pedagógicas não presenciais visa, em primeiro lugar, evitar retrocesso de aprendizagem por parte dos estudantes e a perda do vínculo com a escola, o que pode levar à evasão e ao abandono”, diz a publicação do CNE.

É evidente que pandemia acelerou o processo do ensino híbrido em algumas escolas, uma promessa para a educação dos próximos anos, que combina aulas presenciais com a utilização de ferramentas online. E teremos como um ponto positivo de tudo isso o uso adequado e bem dimensionado da tecnologia, com bastante criatividade e flexibilização. Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-RIO, fala que das maiores mudanças que surgem na educação com a pandemia, a ressiginificação do valor da sala de aula, o interesse das famílias em participar mais da vida escolar dos seus filhos e a valorização do papel do professor, compreendendo melhor os desafios enfrentados, serão os principais pontos a fortalecer a parceria entre escola e família.

Nayana Costa

Educ Manager na Fiscallize. Administradora e Pedagoga. Especialista em Psicopedagogia e Atendimento Educacional Especializado. Entusiasta da Educação como agente transformador.

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